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A Sexta-feira Santa (7), também chamada de Sexta-feira da Paixão, é o único dia do ano em que não são celebradas missas. Neste dia, os cristãos recordam a Paixão e Morte de Jesus, crucificado por nossos pecados, durante a Ação Litúrgica, às 15h, horário em que o Senhor foi ao encontro do Pai. Na parte da manhã, na Catedral, os fiéis puderam participar da Via-Sacra pelas ruas do centro e também houve grande movimento no último dia de confissões durante a Semana Santa.
A Ação Litúrgica, na Catedral, foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Gil Antônio Moreira. Também estiveram presentes o Pároco, Padre João Paulo Teixeira Dias, e os diáconos Antonio Valentino e Waldeci Rodrigues. A Ação Litúrgica começou com uma silenciosa procissão de entrada. Aos chegarem ao altar, desnudado na noite anterior, os celebrantes prostraram-se no chão, seguidos pelos fiéis presentes, que se ajoelharam.
Após este momento, fez-se as leituras do dia, incluindo o Evangelho da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. A celebração seguiu com a Oração Universal, durante a qual foram lembradas dez intenções especiais em prol da Igreja, fiéis e sociedade de uma forma geral. Em seguida, aconteceu o momento de adoração à Santa Cruz, com a reverência e o beijo dos celebrantes no símbolo da vitória de Cristo sobre a morte. Depois da oração do Pai Nosso, houve o momento da Comunhão.
Em entrevista, o Arcebispo de Juiz de Fora afirmou que a Sexta-feira da Paixão é um dia de respeito, recolhimento, penitência e oração profunda sobre aquilo que aconteceu fisicamente, moralmente e espiritualmente com o Senhor no alto do Gólgota. “A Sexta-feira Santa faz parte do Tríduo Pascal, que é constituído pela quinta-feira à noite; a sexta-feira, com a morte do Senhor; o sábado, com silêncio respeitoso e expectativa; e domingo, com a luz da ressurreição. Hoje a Igreja não celebra sacramentos, mas celebra essa grande ação litúrgica, que deve ser feita preferencialmente às três horas da tarde, recordando a hora da morte de Cristo. E assim nós adoramos o Senhor na cruz e agradecemos a Deus a sua misericórdia de ter dado seu Filho para a nossa salvação.”
Ao final da Ação Litúrgica, os fiéis presentes na Catedral puderam fazer o seu momento de adoração à Cruz, tendo a possibilidade de aproximar-se dela, tocá-la e beijá-la. Observando este momento, Dom Gil comentou a emoção das pessoas, aflorada pela imagem do Cristo crucificado. “Condoer-se pela morte do Senhor é algo bom. É uma participação nos sofrimentos de Cristo. Mas, ao mesmo tempo, o nosso povo traz para diante da Cruz os seus próprios sofrimentos, suas próprias cruzes. Esta presença física, espiritual, moral do nosso povo na Sexta-feira Santa é também o recolhimento do sofrimento dos nossos irmãos: nós não podemos esquecer que há muitas pessoas que sofrem muito, e mais do que nós, em todas as partes do mundo e também em nosso Brasil.”
Sermão do Descendimento e Procissão do Enterro
Como acontece tradicionalmente na Catedral, a noite da Sexta-feira Santa foi marcada pelo Sermão do Descendimento, este ano proclamado pelo Pároco, Padre João Paulo. Em seguida, aconteceu a Procissão do Enterro, que tomou as ruas do centro de Juiz de Fora.
Dom Gil Antônio Moreira falou sobre esse costume mineiro. “À noite, em muitos lugares do Brasil, em Minas Gerais sobretudo, se faz o descendimento da cruz. Um sermão, uma palavra de Deus que é comunicada à comunidade de uma maneira, vamos dizer, visual, descendo a imagem da cruz, parte por parte – as mãos, os pés, depois o corpo inteiro -, refletindo sobre os símbolos da Paixão: a coroa de espinhos, os pregos, os cravos, a placa. Depois fazemos uma grande procissão acompanhando o Senhor morto. O povo tem muita veneração por esse momento, muito respeito, e comparece sempre com número muito grande de pessoas para esta procissão. É a maneira que nós temos de celebrar essa grande misericórdia de Deus, da morte que não é totalmente morte, mas é princípio da ressurreição.”
Intercalando as falas com momentos oracionais guiados por músicas bastante conhecidas, o Semão foi centrado em explicar a manifestação do amor de Jesus por toda a humanidade, deixando claro que seu único crime foi amar, que Ele se entregou completamente no momento da cruz.
“Nessa Sexta-feira Santa vivemos a tristeza sim, permanecemos em silêncio, em penitência, mas estamos vigilantes, esperançosos pela sua ressureição, pela vida que se renova na cruz. A cruz não é morte, é vida, é a árvore da vida que nos faz ser irmãos, ser comunidade de fé”, disse Padre João Paulo.
Desta maneira, o clima de pesar pairava no local, mas havia espaço para reflexão. “O Padre João Paulo já falou lá, essa é a maior prova de amor que nós tivemos de Deus, ele morrer na Cruz por nós. Nós não podemos esquecer isso, tem que ser gratidão eterna. A gente não entende esse mistério, porque Deus quis passar por isso, por nós. E nós, por amor a Ele, por amor os irmãos, a gente faz memoria disso tudo”, comentou a fiel da Igreja São Sebastião, Ana Maria Lopes.
Além disso, o sacerdote destacou outra entrega de Jesus na cruz: sua mãe, aquela que esteve com ele do início até o fim. “Cristo entregou-a como mãe, através do discípulo amado. Nós, como filhos de Maria, salvos por Jesus, queremos pelo ‘sim’ de Maria testemunhar nosso ‘sim’, para levarmos, com nossa vida, nosso testemunho, a vontade de Deus, para sermos discípulos, apóstolos missionários, neste mundo”, afirmou ele.
Após o sermão, a imagem do Bom Jesus morto e de Nossa Senhora das Dores foram conduzidas pelas ruas do centro e acompanhadas por centenas de fiéis. As procissões são costumes bastante tradicionais na Igreja Católica. Esta, em específico, é um ato público de fé que recorda para nós que Jesus foi conduzido ao sepulcro. Ele também foi enterrado, também passou pela morte. Segundo Padre João Paulo, a presença de cada fieis na procissão valia como uma procissão de fé.
Joaquim Martins, do Terço do Homens da Igreja São Sebastião, localizada no centro de Juiz de Fora, foi uma das pessoas que esteve com as imagens nos ombros e comentou sobre o que o motivou a isso. “Hoje, ao carregar o andor, foi uma penitência porque eu entendo que todo o peso que eu carrego não é nada perto da cruz que Jesus carregou. Eu carregar Jesus nos meus ombros, foi uma forma de sacrifico que eu tentei fazer ”.
Fonte: site da Arquidiocese de Juiz de Fora

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